Mãe (Carolina Garcia Sfredo)
(Pablo Picasso)
Mãe
(Carolina Garcia Sfredo*)
Generosidade em
aceitar toda a transformação no seu corpo e na sua vida. Aceitar o ganho de
peso, o inchaço das pernas, as noites mal dormidas, os passeios que deixou de
fazer, as festas que deixou de ir, os amigos que deixou de receber, as roupas
que deixou de comprar...
Isso é só um
aperitivo de tudo que abriu mão para me conceber.
Sei também que
se tornou uma pessoa muito melhor, pois a maternidade edifica a mulher, por
meio dela é que você se tornou muito mais generosa e descentralizada. Afinal,
não pôde mais pensar em si mesma sem levar consigo mais três no pensamento.
Em cada ato fica
evidente o pensamento em nós, na roupa que comprou para nos vestir, nos laços
que colocou em meu cabelo, na comida que preparou, na mesa que arrumou, na
exigência em sermos educados, pois foi por meio desta educação que fomos sempre
convidados para muitas festas e reuniões.
A casa cheia
sempre foi e ainda é uma alegria!
Quantos
churrascos, jantares, quantas pessoas já passaram por aí e provaram da sua
comida, do seu capricho, da mesa posta, das flores e das essências para
encantar e decorar o momento.
Ter todos os
filhos e netos ao seu redor é sempre motivo de festa, pão de queijo, café
fresquinho e bolo de fubá quentinho saindo...hummm deu água na boca!
Tudo feito
sempre com alegria e na maior rapidez que nos fazia pensar que fazer festa e
receber a família não dava trabalho!
O aconchego, a
alegria, a casa bem arrumada são a sua marca registrada!
Depois de tanta
festa, a alegria continua, com menos energia, o que vem com a idade, com mais
carência de amor e atenção, pois a vida é corrida e, muitas vezes, não tem quem
lhe olhe nos olhos e faça a leitura do que está atrás desse olhar. Esse momento
vem repleto de sabedoria e acolhimento, com muito mais clareza de tudo, tudo
mesmo, das amizades, do relacionamento, da família, da proximidade com Deus,
das orações, da fé que aumenta a cada dia E também o empenho de fazer com que
os seus sigam alguns de seus caminhos, pois outros não foram tão bons. Na preocupação de que todos sigam os
preceitos de Deus, pois só assim seremos felizes e dignos da salvação d’Ele.
E essa é parte da herança que ela vai deixar,
pois sabemos que somos finitos e, ainda que eu saiba que esse dia um dia vai
chegar, fica aqui o meu MUITO OBRIGADA, por tudo que fui, por tudo o que sou e
por tudo que ainda serei. Sempre carregarei comigo tudo o que compartilhei aqui
neste momento de “quase” perda de uma das pessoas mais importante da minha
vida, minha mãe.
*Carolina Garcia Sfredo participou do Curso de Escrita Criativa 2016

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