Sábado (Maria Leonice Sorgi)
Sábado
Maria Leonice Sorgi
Hora de correr até o
ponto de ônibus e embarcar rumo a mais um fim de semana, depois de uma
jornada semanal exaustiva.
Rua onde muitos trabalham
e que, após as 13 horas de um sábado, todo movimento se finda com o
abaixar das portas que escondem, apressadamente, as vitrines.
Rua melancólica com espaços preenchidos pelas pegadas de muitos
que por ali passaram deixando-a suja com odores diversos.
Ela, apressada, entra no ônibus lotado à procura de um assento
que rapidamente encontra. Sentada próxima à janela da direita, seu olhar
percebe a vidraça molhada com gotas tristes que embaraçam a paisagem deixada do
lado de fora.
O trânsito lento e o balançar suave do ônibus levam-na a
pensamentos e devaneios com lembranças
que sussurram a história vivida e interrompida.
O vento e os respingos da chuva fina entram pelo vão da janela
dando a sensação de um frescor que a relaxa, olhos se fecham...adormece.
Risadas e vozes a
acordam. Entra um jovem casal, ela com
seu 15 anos de pele macia, ele uns 17 anos cheio de energia. Ela senta ao seu lado, ele mais à frente com a visão focada na namorada, eles trocam gracejos e
sorrisos ardentes de dois jovens apaixonados.
Pensamentos de desejos
e fantasias a sufocam de lembranças tão bem vividas de um grande amor
partido...
Neste momento, o passado foi como um apagar da memória que já pertence a uma página
virada .
A busca da esperança renasce dentro do seu mundo interno e dolorido na
busca de um novo amor.
Maria Leonice Sorgi participou do Curso de Escrita Criativa I

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